quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Aspas #6

"Quero pegar muitas mulheres. Porque eu sou homem, e homem é bicho".
(BBB9, candidato aleatório ao. In: Primeira edição do BBB9. Globo: Rio de Janeiro. 2009)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Política do não-desperdício

-No Manifesto Antropofágico, Oswald de Andrade propunha um novo entendimento da cultura brasileira. Para se fortalecer, ela deveria deglutir (por isso a metáfora ao canibalismo) o que fosse de "fora", misturar com o que fosse de "dentro" e criar, assim, novas formas de afirmação cultural - era mais ou menos o que as professoras diziam.

Confesso que, quando eu estudei pela primeira vez o movimento modernista e, particularmente, o Manifesto Antropofágico oswaldiano, há uns bons anos, eu não tinha muito a real dimensão do processo. Até que eu entendia o conceito, a metáfora com o Bispo Sardinha, a proposta modernista em linhas gerais. Sim, o Manifesto representava o desejo de determinada parcela dos intelectuais brasileiros por uma identidade cultural própria, em detrimento a toda forma de imperialismo cultural, principalmente se observarmos que o Brasil "comemorava" o contenário de sua independência política. No entanto, eu não enxergava o fenômeno cotidianamente, por assim dizer. Meu estoque de exemplos restringia-se àqueles citados pelas professoras ou os lidos nos livros, apostilas e afins.

Aos poucos eu fui percebendo a dimensão dessa antropofagia na cultura brasileira. E, tomando a ousadia de eu mesmo "deglutir" essa noção e expandir o gesto antropófago para fora dos limites da arte, penso que muitas coisas estão "comendo" as outras, a toda hora, sempre. É claro que nem sempre o objetivo é aquele modernista, o de afirmar uma identidade, ou criar uma nova. O "comer" se dá por diversas razões. Mas, que "deglutem", eles "deglutem".

Nas formas tradicionais de arte, os próprios modernistas brasileiros se encarregaram disso. E, em outras manifestações culturais, também deu-se conta do recado. Na música, talvez o exemplo mais contundente no Brasil tenham sido os tropicalistas. E, como que num metamovimento, também escutamos influências desse experimentalismo na música (em algumas, claro) de hoje. Da mesma forma, certos músicos de hoje definem a seu próprio estilo como uma mistura de elementos musicais regionalistas. No cinema, quase todo cineasta (ou todo?) admite influência de outros. Então, os planos cinematográficos de hoje carregam resquícios de outrora E por aí vai.

E a indústria da comunicação? Alguns juram que nem adianta falar nisso, que os media não são sinônimo de cultura. Mas, se considerarmos que 97% das casas brasileiras têm televisão, por exemplo, é mesmo prudente negar que eles são parte dos hábitos culturais brasileiros? Penso que não, né. Na televisão, estão o tempo todo deglutindo. As grades de programação guardam uma semelhança não-declarada entre si. Programas estrangeiros são "aproveitados" aqui dentro, salvas as devidas especificidades, é claro. Como já dizia um certo comediante brasileiro de tempos idos, "na televisão nada se cria, tudo se copia". E na tv comercial isso é bastante compreensível até. Faz mesmo sentido copiar experiências exitosas de outras horas. O apelo comercial é forte e elas precisam se virar. A corrida não tem fim.

Os devaneios poderiam se estender. O assunto dá pano não só para manga, mas para uma muda inteira de roupa. E será que qualquer influência, cópia ou mesmo plágio se constitui numa apropriação? É um tipo de deglutição cultural? Não sei. Ainda estou aberta a influências de outrem.



Aspas #5

"Não quero um helicóptero ou uma lancha. Mas quero ser amigo do dono do helicóptero, ou do dono da lancha".
(BAMBAM, Kleber. In: Globo Repórter - Especial sobre os ganhadores do BBB. Rio de Janeiro: Globo. 2009)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Por causa dela


Queria chegar à locadora, escolher o filme e voltar pra casa antes de o temporal desabar. Por isso, só mesmo um olhar rápido para cada dvd em exposição. Escuta o trovão lá fora, escuta. Anda rápido com isso, sá.

Este eu já vi, este também... Ah, sim, ali! Nação Fast Food! Nossa, eu já ouvira falar bem do filme. Deixe-me ler atrás do dvd. Era uma daquelas ficções de crítica à sociedade norte-americana (não tão panfletários quanto os filmes documentários de Michael Moore. Na verdade, nem um pouco panfletário, eu vi depois. Pelo contrário). Dessa vez, o alvo eram as redes de fast-food dos EUA. No filme, elas ganham personificação na rede Mickey's que, ao final das contas, é o personagem principal do filme. Vai esse mesmo.

-Moça, vou levar esse aqui.Justificar
-Só? - olha pra capa e, depois, pra mim.
-Sim.
-Você não está levando ele só por causa dessa menina aqui não, né? - ela aponta com o dedo para o contorno do território estadunidense na capa, particularmente para o ponto onde está Avril Lavigne, uma das atrizes do filme.
-Ahn??
-É, essa menina aqui. Porque, se for só por causa dela, fiquei sabendo que ela aparece no filme só por uns cinco minutos.


Acho que minha cara condena.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Meta texto

As férias em que estou agora passaram por aqui primeiro. Um período em que as postagens ficaram só nas idéias mesmo. Não raro, e tão frequente, coisas conteciam e já entravam no seleto (nem tanto assim) grupo de coisas eleitas para se destrinchar aqui. Só que, ainda que virtualmente, não chegaram a se materializar. Dó.

Quatro meses e uns poucos dias. É muita coisa pra quem criou esse blog dizendo que estava sentindo falta de algo para se expressar livremente sobre qualquer coisa, a qualquer hora e em qualquer local (salvas as habituais restrições). Tudo ficava pr'um depois e se perdia por aí. Engraçado que nem chegavam a existir, ou existiam só pra mim. Na verdade, existiam no mundo. Mas o formato pra entrar aqui, só eu podia dar. E não fiz.

Falta de tempo? Talvez. Mas ainda que tudo tenha sido tão corrido nestes cento e trinta e poucos dias, sempre houve tempo para bobagens. Não que este aqui seja uma delas (e que mal há se for?), mas por que escrever aqui, sem (quase) nenhum tipo de amarra, foi para o final de uma lista de prioridades cuja execução se deu aleatoriamente? Nada. As horas n'algum computador foram preenchidas com trabalho (uma parte considerável. O trabalho em campo ainda é mais saudável, creio eu depois de comparações. Os olhos podem lacrimejar, mas por outros motivos), faculdade, uma incrível baixa de discos, sites mil, caixas de correios abarrotadas e interações em redes virtuais viciantes.

Posso me lembrar de algumas coisas. Uma certa viagem aos confins de Minas rendiam algumas boas - uma tribo indígena sem nada e com muito coração, um taxidermista (empalhador) dono de um museu de antiguidades às margens da BR 116, um charlatão dos mais simpáticos que já conheci na vida. Ou então, a espera por ônibus e a permanência nos mesmos também. Isso sempre estimula vários posts. A espera em consultórios, gabientes e afins, também. Ademais, essas coisas de praxe - comentar política, religião, esportes e tal, não com a competência esperada, mas com um esforço pretendido.

Se fez falta? É, fez. Em alguns momentos é uma válvula de escape. E um termômetro de como andam as coisas na sua vida também. Lendo os primeiros posts, percebi o quanto de mim mudou neste meio-tempo. Talvez nem os mais próximos percebam. São coisas que só eu vou saber, pra todo o sempre.

Então, é Natal. Mais um bocado de coisas pululam na minha frente e pedem pra receber um tratamento bloguístico. Deixem-me ver se consigo.

domingo, 17 de agosto de 2008

Um e outro astro

Bem dizem que a gente aprende com as crianças, em todos os sentidos. E a verdade do dito eu pude constatar mais do que nunca no sábado à noite, quando estávamos mamãe e eu caminhando em direção à casa de uma tia, em Cajuru.
Mamãe encontrou-se com uma moça que trabalhou com ela em uma escola. Acompanhada do marido e das duas filhas, a mulher ostentava uma barriga que predizia a chegada de um novo membro na família em meados de janeiro. Como é comum entre pessoas que trabalham juntas, as duas engajaram-se em uma conversa sobre professores, a merenda escolar e a eleição de uma nova diretoria.
Uma das meninas parecia ser alguns anos mais nova que eu, ao passo que a outra era uma agitada criança. Desde o início de nosso trajeto em comum, ela cantarolava palavras que eu não podia entender e ensaiava curiosas reboladas. Achando-a engraçadinha, tratei de puxar papo.
- Qual é seu nome mocinha?
- Maria Fernanda!
- E quantos anos você tem, Maria Fernanda?
- Seis - e representou com os dedos.
- O que você está cantando? - em tom amistoso, ao mesmo tempo em que, gratuitamente, ela me deu a mão.
- Titanic! - respondeu a graciosa.
- Que legal, então você conhece a música? Mas o filme é tão antigo, é de antes de você nascer...
- Tô cantando funk!
Taí, eu não sabia. E a garota, cronológicos seis anos e alguns a mais concedidos pela vivacidade, acabara de me mostrar, mesmo sem saber, que Leonardo di Caprio perdeu o trono para o Dj Leco.

sábado, 9 de agosto de 2008

Aspas #4

"E agora, a formação humana da Muralha da China, que siginifica... bem, significa uma muralha".
(BUENO, Galvão. Locução da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim. China: Pequim. 2008)