sábado, 14 de junho de 2008

Brooke Waggoner



Oh, why here it's so-so
but it is no, no Colorado
I miss my home and the cocoa
I wanna go home...

(...)

"A música é So-so", ele disse por e-mail.
Quem é ele? Ele é Flávio, um amigo.
"É a sua cara", ele disse.
Realmente, me agradou muito a música. Quem canta?
"Brooke Waggoner", por e-mail.
Nossa, vou procurar mais coisas dela.
"Ela disponibilizou o CD para baixar, no site dela", por msn.

Um site belíssimo, com ares retrô. Realmente, lá estava "Click here for free download". Cliquei. Só precisa de e-mail, nome, cep e país (para os três últimos, exercite sua criatividade). Eles vão te mandar um e-mail pra confirmar e tudo, mas é bem rápido.

Daí vem. Um acompanhamento belíssimo de piano, uma voz suave e uma letra simples compõem músicas com tons que vão do nostálgico ao melancólico. Lindo.

Brooke Waggoner, norte-americana que vive em Nashville, em Tenessee, tem apenas 23 anos, e compõe desde os 10. Com formação superior em Composição e Orquestragem Música, lançou esse primeiro CD, o Fresh Pair of Eyes, com apenas seis faixas que, convenhamos, te fazem pedir mais. Ela conta que sempre soube que música seria o que ela faria da vida. E muito bem feito, aliás. (biografia no site)

Em tenpos em que você encontra tudo (sim, tudo) na internet, o engraçado são as poucas referências à moça. O CD foi lançado há quase um ano, em agosto de 2007, mas no orkut não existe nenhuma comunidade e ela aparece como referência de gosto musical em apenas um perfil. Um perfil! Além disso, na comunidade "Discografias", nada. Páginas no google, muito poucas. No Last FM, "ainda não temos uma descrição para este artista. Gostaria de nos ajudar?", embora pelo menos existam a foto e as músicas. No youtube, alguns vídeos.

Pelo menos no myspace ela tem seu espaço (hehe). Lá ela é muito comentada. Lá sim. As pessoas agradecem pela música. E, pelo visto, os show dela são ainda locais, para pequenas audiências. Barzinhos e cafés, parece. Quem sabe não é melhor assim?

www.brookewaggonermusic.com



sexta-feira, 30 de maio de 2008

Aspas # 3

"O mundo se divide entre aqueles que compram canetas e aqueles que pegam as canetas daqueles que as compraram"
(SILVEIRA, Carolina. Encontro no Chico da Carne 3. Belo Horizonte: Barro Preto. 2008)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A carona podia esperar

A menina atravessou depressa a rua. O seu ônibus passaria do outro lado da calçada e ela não sabia o horário. Em dia de sábado os horários mudam, ficam mais espaçados, e ela havia se esquecido de olhar no site quando passaria outro.

Com uma mochila nas costas e sacola em uma das duas mãos, com o presente recém-comprado de dia das mães dentro dela, ela enfim conseguiu atravessar, em meio àquele mundo de veículos que só as capitais conhecem. A pressa era grande: a carona para a sua cidade de origem ia sair dali a 20 minutos, de um ponto bem distante dali. Além disso, tinha que considerar o trânsito que, em vésperas de datas como aquela, tendia a ficar mais cheio. Também, não queria passar vergonha com o primo, que lhe dava a carona, bondosamente, todas as vezes que ela pedia.

Inquieta e já no ponto, ocupado por idosos, adultos e crianças, ela virava incessantemente a cabeça para a direção da qual o ônibus viria. Tirava o celular da mochila: 15 para as uma da tarde. Nem sinal de ônibus. Só faltava o 2004 não passar aos sábados. Pronto. Aí complicava. Como ia fazer para avisar o primo que iria atrasar, sendo que, para variar, não tinha créditos em seu celular? Ele ia perceber a demora e iria ligar. Aí ela ia ter que se desculpar até, dizendo do trânsito, do erro de ônibus, e que já tinha saído de casa tarde pra comprar o presente da mãe, já que...

Aí, percebeu ao lado dela uma senhora. Assim, devia ter uns 75 anos. Cabelos grisalhos e crespos, pele mulata, vestida de cinza e carregando sacolas. Numa delas, dava pra ver um ramalhete simples, de flores frescas. Pelo olhar determinado dela, na mesma direção que o da menina, ela parecia utilizar sempre aquele ponto.

-A senhora sabe se o 2004 passa mesmo aqui? Estou esperando há dez minutos e ele não chega... Tô com medo de ele não passar.
-Ele vai pra onde?
-Para a avenida Antônio Carlos.
-Ah, passa sim! Pode ficar tranqüila que ele passa, minha filha.
-Ah, que bom! Obrigada!
Agora estava mais tranqüila. Era só esperar. Mas, que boa vontade tinha tido aquela senhora para com ela. Respondera com um sorriso tão amável, desses que não é tão comum assim em conversas com desconhecidos... Virou-se para ela mas, agora, sem o egoísmo de antes:

-O ônibus da senhora também passa aqui? (Numa espécie de pergunta idiota, daquelas que já se sabe a resposta)
-Passa sim, minha filha. É o ônibus que vai para o Bonfim. Tenho que ver mamãe, pois amanhã não vou poder ver ela.
-Que legal! Então a senhora ainda tem mãe? E ela mora no bairro Bonfim?
-Não, eu vou é levar essas flores no túmulo dela, no cemitério Bonfim.
Pausa. Má nota terrível, a menina pensou. Há pouco mais de um ano, ainda não conhecia de cor o nome de todos os cemitérios da cidade; lembrava-se só do da Paz e do da Boa Viagem. Agora a senhora com certeza iria desviar o olhar para a avenida por onde o ônibus viria, e não ia querer mais papo. Com razão. Surpreendentemente:
-Sabe menina, acho que hoje vou atrasar o almoço. Mas não posso deixar de ver mamãe, porque amanhã minhas filhas e netos vão almoçar lá em casa. Eu tenho um filho que mora comigo, ele é taxista sabe. Ah, mas ele pode pedir marmita também, se achar ruim.
-Ah, ele vai entender que é por uma boa causa.
-Pois é, vai sim. Aí amanhã vai aquele tanto de neto lá pra casa. Tive uma nora que morreu com 35 anos, quando meu neto tinha 9 anos. Hoje ele tem 15, e vai pra lá amanhã também.
-Então a senhora ajudou a olhar ele?
-Sim, ajudei. E meu marido já morreu faz tempo. Criei cinco filhos, e hoje...

Uma pequena aglomeração começara a se juntar no passeio. O 2004 estacionava próximo ao meio-fio.
-Ô senhora, eu preciso ir, meu ônibus chegou. Muito obrigada pelas informações. Um feliz dia das mães pra senhora, viu?
-Obrigada, minha filha. Você tem mãe?
-Graças a Deus, sim.
-Então mande um abraço pra ela.
-Mando sim!
-Qual é seu nome? O meu é Celina, minha filha.
A menina respondeu e abriu um largo sorriso, acenando com a mão, já nos degraus da porta do ônibus. Faltavam 5 para as uma. Ela estava com fome, o ônibus estava cheio e, o sol lá fora, de rachar. Mas ela tinha sido merecedora de confiança gratuita aquele dia. Se teve pagamento, foi apenas com um sorriso.
P.s.: Qualquer semelhança é mera coincidência.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Aspas # 2

"Não está escrito nas estrelas que isso vai dar certo"
(MARTINS, Franklin. Abertura do I Fórum Nacional de Tv's públicas. Brasília: Secretaria do Audiovisual. 2008)

Aspas # 1

"Faço astrologia e tarô. Não cobro consulta. Favor trazer uma garrafa de água mineral"
(FAMIGERADO, cartaz. Em um poste na esquina. Belo Horizonte: bairro Padre Eustáquio. 2008)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

domingo, 27 de abril de 2008

Aspas # 0

De hoje em diante, uma seção esporádica de ditos que merecem ser postos à mostra. A classificação não tem limites. Peridiocidade, difícil de dizer. Só sei que, se valeu a pena postar, tá no blog.
"Tem coisa muito boa na música brasileira. Agora, chamar de música o Creu é o que não podemos aceitar"
(GOUVEIA, Bruno. Entre "Vento Ventania" e "Onde você mora". In___Show do Biquini Cavadão. Divinópolis: Fenacer, 2008)